Yemanjá – A Rainha do Mar

Estima-se que cerca de 400 mil pessoas acompanhe os festejos de homenagem a Yemanjá no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, nesta terça-feira, dia 02 de fevereiro de 2010! Odoya!

A tradição da festa na cidade de Salvador em homenagem a Yemanjá teve início no ano de 1923, quando um grupo de 25 pescadores resolveu oferecer presentes para a mãe das águas. Nesta época os peixes estavam escassos no mar. Todos os anos os pescadores pedem a Yemanjá que lhes dê fartura de peixes e um mar tranquilo.

No início, a celebração era feita em conjunto com a Igreja Católica, numa demonstração do sincretismo religioso da Bahia. Na década de 1960, na capital baiana, um padre teria ofendido os pescadores, chamando-os de ignorantes por cultuarem uma sereia. O ocorrido provocou um rompimento com a igreja e a partir daí os pescadores passaram a realizar a festa apenas em homenagem a Yemanjá.

A igreja de Santana, em Salvador, estado da Bahia fica fechada no dia 2 de fevereiro durante toda a festa.

Heis aqui uma das interpretações  de estudiosos sobre a história da Rainha das Águas, Yemanjá, extraido de um texto de Pierre Verger, para que possamos entender melhor sobre a sua importância dentro da religião afro-brasileira e da cultura baiana.
Conta à tradição dos povos iorubás (atual Nigéria), que Iemanjá era a filha de Olokum, deus do mar. Em Ifé, tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos, todos orixás. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Yemanjá tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, Yemanjá fugiu na direção do “entardecer-da-terra”, como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá.
Yemanjá continuava muito bonita, Okerê a propôs casamento. Tendo Yemanjá aceitado, mas com a condição que ele numca ridicularizasse a imensidão dos seus seios. Um dia, ao voltar para casa bêbado, Okerê cambaleante, tropeçou em Yemanjá, que lhe insultou, chamando-o de bêbado. Okerê reagio: “Você, com esses peitos compridos e balançantes!”

Ofendida, Yemanjá fugiu. Okerê colocou seus guerreiros em perseguição e Yemanjá, vendo-se cercada, lembrou que tinha recebido de Olokum uma garrafa, com a recomendação que só abrisse em caso de necessidade.

Yemanjá tropeçou e esta quebrou-se, nascendo um rio de águas tumultuadas, que levaram Yemanjá em direção ao oceano, residência de Olokum. Okerê, tentou impedir a fuga de sua mulher e se transformou numa colina. Yemanjá, vendo bloqueado seu caminho, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos, que lançou um raio sobre a colina Okerê, que abriu-se em duas, dando passagem para Yemanjá, que foi para o mar, ao encontro de Olokum.

As descrições são variadas, mas há um predomínio de que a Yemanjá usava roupas cobertas de pérola, tem filhos no mundo inteiro e está em todo lugar onde chega o mar. Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la. Yemanjá, Odô Iyá (rainha das águas), nunca mais voltou para a terra.

Ainda existe, na Nigéria, uma colina dividida em duas, de nome Okerê, que dá passagem ao rio Ogun, que correr para o oceano. Sendo um local de grande visitação.

Presentes

Existe uma superstição sobre os presentes dados a Iemanjá que não afundam, indo parar na areia da praia. Segundo ela, Iemanjá não gostou do presente e o teria devolvido, causando grande frustração aos devotos. Em geral, presentes feitos com materiais leves ou ocos costumam não afundar. Nem mesmo o presente principal, feito pelos pescadores, está livre deste infortúnio. Algumas vezes foi preciso amarrá-lo a algo pesado para que pudesse afundar.

O presente principal é preparado para ser oferecido à Yemanjá. Sob ele vão as oferendas preparadas pela ialorixá responsável pelo comando da festa. Estas oferendas, cujos preparativos são cercados de rituais e fundamentos sagrados e secretos, demoram sete dias para ficar prontas.

Dentre os presentes oferecidos a Yemanjá no dia 2 de fevereiro podemos listar os seguintes: flores, perfumes, espelhos, enfeites diversos como anéis, colares, fitas, brincos, pentes, bijuterias, jóias, relógios, maquiagens e ainda bonecas, velas, bebidas e comidas tais como manjar, fava cozida com camarão, cebola e azeite doce, champanhe dentre outros.
Nas ruas do Rio Vermelho desfilam grupos de samba de roda e ijexá, capoeira, blocos afros, grupos fantasiados, fanfarras dentre outros. Alguns destes grupos desfilam exclusivamente na Festa do Rio Vermelho, numa prova da devoção do povo baiano.

A escultura de Yemanjá localizada em frente à Casa do Peso foi confeccionada por Manoel Bonfim em 1970. Trata-se de uma escultura de uma sereia feita de gesso, assentada sobre pedestal de concreto revestido com apliques variados, conchas e pedras portuguesas. É de propriedade da Colônia de Pesca.

Existe atualmente uma preocupação por parte de ambientalistas alertando sobre os presentes jogados no mar que não se decompõem. Muitos animais marinhos morrem ao ingerir esses presentes.

Os pescadores que organizam o dois de fevereiro estão começando a se preocupar mais com o aspecto ecológico que envolve a festa.

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