<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Cultura Baiana &#187; Odorico Tavares</title>
	<atom:link href="http://www.culturabaiana.com.br/tag/odorico-tavares/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.culturabaiana.com.br</link>
	<description>Notícias, arte, culinária, moda, festas populares, cinema, teatro</description>
	<lastBuildDate>Sat, 04 Feb 2012 02:11:25 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>O universo criativo de Carybé- O Ateliê: Carybé 1911-2011</title>
		<link>http://www.culturabaiana.com.br/carybe/</link>
		<comments>http://www.culturabaiana.com.br/carybe/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 00:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rosilda Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia Boa Terra Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia Imagens da Terra e do Povo]]></category>
		<category><![CDATA[Candomblé da Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Coleção Recôncavo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura baiana]]></category>
		<category><![CDATA[Jubiabá]]></category>
		<category><![CDATA[Nancy Bernabó]]></category>
		<category><![CDATA[O Ateliê: Carybé 1911-2011]]></category>
		<category><![CDATA[O Torso da Baiana]]></category>
		<category><![CDATA[Odorico Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[Visitações da Bahia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.culturabaiana.com.br/?p=3279</guid>
		<description><![CDATA[Se estivesse vivo, em 2011 Carybé se tornaria um homem centenário. Celebrando a ocasião, a...


Artigos relacionados:<ol><li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/va-ao-museu-o-atelie-carybe-1911-%e2%80%93-2011-solar-ferrao/' rel='bookmark' title='Vá ao Museu &#8211; O Ateliê: Carybé 1911 – 2011- SOLAR FERRÃO'>Vá ao Museu &#8211; O Ateliê: Carybé 1911 – 2011- SOLAR FERRÃO</a></li>
<li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/premio-nacional-de-fotografia-pierre-verger-20102011/' rel='bookmark' title='PRÊMIO NACIONAL DE FOTOGRAFIA PIERRE VERGER 2010/2011'>PRÊMIO NACIONAL DE FOTOGRAFIA PIERRE VERGER 2010/2011</a></li>
<li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/caribe-para-festejar-50-anos-do-mam/' rel='bookmark' title='Caribé para festejar 50 anos do MAM'>Caribé para festejar 50 anos do MAM</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Se estivesse vivo, em 2011 Carybé se tornaria um homem centenário. Celebrando a ocasião, a exposição <strong>O Ateliê: Carybé 1911-2011</strong> é uma oportunidade única  de se confrontar com o universo criativo do artista. A partir do dia 1º de abril o Centro Cultural Solar Ferrão vai abrigar parte do ateliê e 17 pinturas a óleo que Carybé deixou inacabadas e nas quais trabalhava na época de sua morte.</div>
<div id="_mcePaste">Além das pinturas, fazem parte da exposição peças do mobiliário do ateliê, muitos objetos de arte e livros que o pintor colecionava. “Essa exposição é um prestígio para ele, que colecionou tudo isso com tanto amor”, conta<strong> Nancy Bernabó</strong>, viúva do artista.</div>
<div id="_mcePaste">O diretor de Museus do IPAC que assina a curadoria da exposição, <strong>Daniel Rangel</strong>, destaca a importância da ocasião: “Nesta exposição poderemos nos aproximar da intimidade do artista e de seu processo criativo. Ao observar o conjunto exposto damos visibilidade ao entorno de Carybé e podemos até imaginar possíveis caminhos pictóricos ou estéticos que ele poderia seguir para concluir cada um dos quadros”, avalia.</div>
<div id="_mcePaste">O público poderá ver de perto itens que o artista colecionou ao longo da vida, que incluem arte popular das Américas e Ásia, arte africana, arte sacra entre outros objetos e souvenirs adquiridos em viagens e recebidos de presentes.</div>
<div>Também fazem parte, trabalhos de outros artistas como Mestre Didi e Mario Cravo Jr &#8211; de quem foi amigo &#8211; e uma infinidade de peças de diferentes origens e valores, que tiveram como destino comum a casa do artista e a influência no seu imaginário.</div>
<div id="_mcePaste">Além da coleção pessoal que Carybé reuniu em seu ateliê, e para a qual funcionou como um curador inspirado e deliciosamente anárquico, compõem o ambiente também diversas publicações nas quais o artista trabalhou e outras das quais foi tema. Para se ter uma idéia completa do espaço original de trabalho que o artista mantinha na sua casa em Brotas, quem for à exposição poderá ainda fazer uma visita virtual ao ateliê original, através de um tour 360°, em computadores instalados em uma das salas.</div>
<div id="_mcePaste">MITO DA BAIANIDADE</div>
<div id="_mcePaste">Realizada pela Secretaria de Cultura do Estado através da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, a exposição O Ateliê: Carybé 1911-2011 destaca o processo de produção do artista ao expor 17 telas em diferentes estágios de desenvolvimento. No <strong>Solar Ferrão</strong> será reproduzido o lugar onde Carybé realizou grande parte de sua obra – incluindo seu cavalete e sua mesa de trabalho, que ainda mantém as paletas de preparo de tintas, pincéis e espátulas, já que o lugar foi conservado da maneira como foi deixado pelo artista, quando da sua morte em 1997.  “Essa foi a razão pela qual o estúdio foi mantido, queríamos torná-lo público, para um dia as pessoas visitarem, conhecerem”, explica <strong>Solange Bernabó</strong>, filha de Carybé.</div>
<div id="_mcePaste">O secretário de Cultura, <strong>Albino Rubim</strong>, enfatiza a importância do artista: “Como criador, Carybé foi um dos inventores da Bahia. Juntos, ele, <strong>Jorge Amado, Dorival Caymmi</strong> e outros grandes criadores construíram a Bahia imaginariamente. Uma<strong> Bahia</strong> boa terra, singular, colorida e miscigenada. Uma Bahia que pulsa em seu povo. Uma Bahia sintetizada através de suas imagens singularíssimas.”</div>
<div id="_mcePaste">No ateliê foram criadas alguma das imagens que até hoje servem como pilares de sustentação do mito da baianidade, construído no Século XX pela forma como a Bahia foi interpretada por artistas como <strong>Pierrer Verger</strong>, Dorival Caymmi, Jorge Amado e também pelo próprio Carybé.</div>
<div id="_mcePaste">Seguindo a tradição da família (Carybé tinha mais dois irmãos que também trabalhavam com arte),  Ramiro Bernabó,  ceramista e filho do pintor, acha que a exposição tem um caráter ousado. “É interessante ver como era a mesa de trabalho, como ele arrumava as coisas ali. É uma coisa curiosa. Seria bom também ver a mesa de trabalho de outros artistas”, diz.</div>
<div id="_mcePaste"><strong>Daniel Rangel</strong> agradece, também, a generosidade da família de Carybé em dividir este momento com todos: “Uma abordagem possível graças a generosidade de Sra. Nancy, Solange e Ramiro,que abriram sua casa e nos apresentaram o que nela existe de mais precioso: o amor deles pelo legado e pela pessoa de Carybé.”</div>
<div>CARYBÉ</div>
<div id="_mcePaste">Hector Julio Páride Bernabó nasceu em Lanús, Argentina, no dia 7 de fevereiro de 1911. Sua família se mudou para o Brasil quando ele tinha oito anos, para fixar residência no Rio de Janeiro, onde &#8211; seguindo o costume de apelidar jovens escoteiros com nomes de peixe &#8211; ele passou a ser chamado de Carybé, apelido que posteriormente assumiria também em sua carreira artística.</div>
<div id="_mcePaste">Foi frequentando o ateliê do seu irmão, Arnaldo Bernabó, que Carybé começou a se interessar pela produção artística. Muito conhecido por suas pinturas, gravuras , desenhos e ilustrações, Carybé  também explorou a cerâmica e  a escultura. Além disso, trabalhou como pesquisador, historiador, tradutor e jornalista.</div>
<div id="_mcePaste">De 1927 a 1929, estudou na Escola Nacional de Belas Artes e, no início da carreira, na década de 1930, trabalhou como desenhista em jornais da Argentina e assinou vários trabalhos como ilustrador. Ainda ganhou o Primeiro Prêmio da Câmara Argentina del Libro, pela ilustração do livro Juvenília, de Miguel Cané, , antes de viajar pela América do Sul.</div>
<div id="_mcePaste">De volta a Rio de Janeiro, em 1946, Carybé volta a trabalhar em jornais até ser convidado, em 1950, por Anísio Teixeira para produzir na Bahia dois painéis para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Escola Parque), em Salvador. Vivendo e trabalhando na cidade, junto com Mário Cravo Júnior, Genaro de Carvalho e Jenner Augusto, Carybé marca uma grande renovação na produção visual da Bahia.</div>
<div id="_mcePaste">Carybé faz parte da lista dos artistas que melhor retrataram a Bahia de sua época e sua obra ajuda a compor um repertório que funciona como uma espécie de matriz identitária do povo baiano. Durante o tempo em que viveu em Salvador ele se dedicou especialmente a esse tema, trabalhando em projetos como a Coleção Recôncavo, editada pela Tipografia Beneditina; nos livros Bahia, Imagens da Terra e do Povo, de Odorico Tavares; O Torso da Baiana, editada pelo Museu de Arte Moderna da Bahia; Candomblé da Bahia, lançado pela Editora Brunner; Visitações da Bahia, publicado pela Editora Onile e O uso das plantas na sociedade iorubá, de Pierre Verger; entre muitos outros. Também trabalhou ilustrando vários romances, como Jubiabá, de Jorge Amado; que também é seu parceiro no livro Bahia, Boa Terra Bahia (Editora Image).</div>
<div id="_mcePaste">Talentoso<strong> muralista</strong>, Carybé realizou trabalhos para o Escritório da Petrobrás, em Nova Iorque, para o Banco da Bahia, para o Aeroporto John F.Kennedy, em Nova Iorque e para a Embaixada Brasileira em Lagos, na Nigéria.</div>
<div id="_mcePaste">Em 1963 Carybé recebe o título de Cidadão da Cidade de Salvador, honraria que se somaria a várias outras, como a de Cavaleiro da Ordem do Mérito da Bahia, o Prêmio Melhor Artista Plástico de 1967, o título de Doutor Honoris Causa, dado pela Universidade Federal da Bahia e a diplomação com a Honra ao Mérito Espiritual Culto Afro-Brasileiro.</div>
<div id="_mcePaste">Ele também traduziu para o espanhol e ilustrou o livro Macunaíma, de Mário de Andrade, pelo qual alimentava grande estima e interesse. Em seus inúmeros trabalho no ramo editorial, seja como tradutor, parceiro ou ilustrador, Carybé esteve ligado a nomes como Julio Cortázar, Walt Whitmann , Daniel Defoe, Gabriel Garcia Marquez , Mario Vargas Llosa,  Castro Alves, Mario de Andrade, entre outros; além dos seus amigos Jorge Amado, Pierre Verger.</div>
<div id="_mcePaste">Em outubro de 1997, durante uma visita ao terreiro do <strong>Ilê Axé Opô Afonjá</strong>, onde ocupava uma posição importante como membro da comunidade, Carybé se sentiu mal e, mais tarde, faleceu, deixando um grande legado para a terra que tanto o inspirou e na qual escolheu viver.</div>
<div>SERVIÇO</div>
<div id="_mcePaste">O que: O Ateliê: Carybé 1911-2011</div>
<div id="_mcePaste">Onde: Galeria Solar Ferrão / Centro Cultural Solar Ferrão</div>
<div id="_mcePaste">Quando: de 01 de abril até 5 de junho de 2011</div>
<div id="_mcePaste">Visitação: terça a domingo, de 10 as 18 horas,</div>
<div id="_mcePaste">Informações: (71) 3117-6983</div>
<div id="_mcePaste">Gratuito.</div>
<div id="_mcePaste">Realização: Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia / Secretaria de Cultura do Estado da Bahia</div>
 <img src="http://www.culturabaiana.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=3279" width="1" height="1" style="display: none;" />

<p>Artigos relacionados:<ol><li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/va-ao-museu-o-atelie-carybe-1911-%e2%80%93-2011-solar-ferrao/' rel='bookmark' title='Vá ao Museu &#8211; O Ateliê: Carybé 1911 – 2011- SOLAR FERRÃO'>Vá ao Museu &#8211; O Ateliê: Carybé 1911 – 2011- SOLAR FERRÃO</a></li>
<li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/premio-nacional-de-fotografia-pierre-verger-20102011/' rel='bookmark' title='PRÊMIO NACIONAL DE FOTOGRAFIA PIERRE VERGER 2010/2011'>PRÊMIO NACIONAL DE FOTOGRAFIA PIERRE VERGER 2010/2011</a></li>
<li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/caribe-para-festejar-50-anos-do-mam/' rel='bookmark' title='Caribé para festejar 50 anos do MAM'>Caribé para festejar 50 anos do MAM</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.culturabaiana.com.br/carybe/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Irmandade da Boa Morte</title>
		<link>http://www.culturabaiana.com.br/irmandade-da-boa-morte-reconcavo-baiano/</link>
		<comments>http://www.culturabaiana.com.br/irmandade-da-boa-morte-reconcavo-baiano/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 22:37:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rosilda Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Moraes Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Jejes]]></category>
		<category><![CDATA[João José Reis]]></category>
		<category><![CDATA[Ketu]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Cláudio Dias Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Luiza Mahin]]></category>
		<category><![CDATA[Odorico Tavares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.culturabaiana.com.br/?p=614</guid>
		<description><![CDATA[A festa do Recôncavo Baiano é uma das mais autênticas manifestações da cultura afro-brasileira. Na...


Artigos relacionados:<ol><li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/irmandade-boa-morte-patrimonio-imaterial-bahia/' rel='bookmark' title='Irmandade da Boa Morte vira Patrimônio Imaterial da Bahia'>Irmandade da Boa Morte vira Patrimônio Imaterial da Bahia</a></li>
<li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/capoeira/' rel='bookmark' title='Capoeira'>Capoeira</a></li>
<li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/4297/' rel='bookmark' title='Tríduo de Santo Antonio'>Tríduo de Santo Antonio</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A festa do <strong>Recôncavo Baiano</strong> é uma das mais autênticas manifestações da cultura <strong>afro-brasileira</strong>. Na primeira quinzena de agosto, a <strong>Irmandade a Boa Morte</strong> (formada apenas de mulheres descendentes de escravos) percorre as ruas. As  mulheres negras,  bastante simples e quase todas idosas &#8211; entre 50 e 70 anos, orgulhosas, exibem vestes e jóias,enquanto entoam cânticos para a padroeira.<br />
A história da confraria religiosa da Boa Morte se confunde com a maciça importação de escravos da costa da <strong>África</strong> para o Recôncavo canavieiro da Bahia, em particular para a cidade de <strong>Cachoeira</strong>, a segunda em importância econômica na Capitania da Bahia durante três séculos.</p>
<p>O Recôncavo Baiano é a região da Bahia onde as <strong>tradições africanas</strong> foram mais preservadas e Cachoeira, uma espécie de Meca para onde acorrem negros americanos em busca de suas origens &#8211; movidos por um sentimento semelhante ao que atrai judeus americanos e canadenses a uma sinagoga no Recife. E se existe um povo de fé no Brasil, esse é o <strong>povo baiano</strong>.</p>
<p style="text-align: center;">
<p>O fato de ser constituída apenas por mulheres negras, numa <strong>sociedade patriarcal</strong> e marcada por forte<strong> contraste racial</strong> e étnico, emprestou a esta <strong>manifestação afro-católica</strong>, como querem alguns autores, notável fama, seja pelo que expressa do catolicismo barroco brasileiro, de indeclinável presença processional nas ruas, seja por certa tendência para a incorporação aos festejos propriamente religiosos de rituais profanos pontuados de muito samba e comida.</p>
<p>Há que acrescentar ao gênero e raça dos seus membros a condição de ex-escravos ou descendentes deles, importante característica social sem a qual seria difícil entender tantos aspectos ligados aos compromissos religiosos da confraria, onde ressalta a enorme habilidade dos antigos escravos para cultuar a religião dos dominantes sem abrir mão de suas crenças ancestrais, como também aqueles aspectos ligados à defesa, representação social e mesmo política dos interesses dos adeptos.</p>
<p>No <strong>Brasil Colônia</strong> e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades. Para cada categoria ocupacional, raça, nação &#8211; sim, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas &#8211; havia uma. Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos, etc.</p>
<p>Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo. Para que uma irmandade funcionasse, diz o historiador <strong>João José Reis</strong>, precisava encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica.</p>
<p>Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a do <strong>Rosário da Barroquinha</strong>, com a qual a Boa Morte manteve estreito contato. O que ficou conhecido como devoção do povo de <strong>candomblé</strong>. O historiador cachoeirano <strong>Luiz Cláudio Dias Nascimento</strong> afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na <strong>Igreja da Ordem Terceira do Carmo,</strong> templo tradicionalmente freqüentado pelas elites locais. Posteriormente as irmãs transferiram-se para a <strong>Igreja de Santa Bárbara</strong>, da <strong>Santa Casa da Misericórdia</strong>, onde existem imagens de <strong>Nossa Senhora da Glória e da Boa Morte</strong>.</p>
<p>Desta, mudaram-se para a bela <strong>Igreja do Amparo</strong> desgraçadamente demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média de gosto duvidoso. Daí saíram para a <strong>Igreja Matriz</strong>, sede da freguesia, indo depois para a <strong>Igreja da Ajuda</strong>.<br />
Estudiosos como <strong>Odorico Tavares </strong>acreditam que a confraria religiosa exista desde 1820 &#8211; 68 anos antes da abolição. O culto religioso, que na época era secreto, hoje termina em festa profana, com samba-de-roda até o dia amanhecer.</p>
<p>O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata de sua origem. Odorico Tavares arrisca uma opinião: a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os <strong>Jejes,</strong> deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização. Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas <strong>Ketu</strong>. Parece que o “corpus” da irmandade continha variada procedência étnica já que fala-se em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.</p>
<p>Historicamente essa data parece fazer sentido. Desde o início do século passado o Recôncavo viveu uma atmosfera de progresso e novas técnicas agrícolas e industriais ali são introduzidas. Em que se pese as dificuldades momentâneas da economia açucareira, o fumo ganhou novo alento quando começa a interessar, após a independência política do país, ao capital alemão. A inauguração do serviço de navegação a motor favorece esses bafejos de renovação econômica, estimulando a integração do Recôncavo com a <strong>Capital da Província</strong> e o aumento dos seus negócios, o que favorece a construção de sólidos laços entre os negros escravos de muitas cidades, sobretudo de Salvador e Cachoeira.</p>
<p>O clima de distensão entre senhores e escravos, suscitado por essa “unidade” momentânea, contribuiu para permanentes deslocamentos dos negros pelas cidades do Recôncavo, onde os senhores manifestaram incomum atenção na resolução do conflito e, para defenderem seus interesses, armaram os escravos e os utilizaram contra os portugueses. Dessa excepcional conjuntura resultaram inúmeras iniciativas religiosas e civis dos escravos, entre as quais, quem sabe, a própria Irmandade da Boa Morte.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-619" title="CB - IRMANDADE BOA MORTE2" src="http://www.culturabaiana.com.br/wp-content/uploads/2009/08/CB-IRMANDADE-BOA-MORTE2.jpg" alt="CB - IRMANDADE BOA MORTE2" width="640" height="427" /></p>
<p>O pesquisador <strong>Antônio Moraes Ribeiro</strong> associa seu surgimento às senzalas, apostando na conjuntura abolicionista pós-Revolta dos negros islamizados na Bahia que se deu em 1835 e foi barbaramente esmagada. Quem sabe daí o toque claramente muçulmano na morfologia tradicional dos trajes de grande força e rara beleza, realçados pelo uso do turbante, como assinala Raul Lody. Antônio Moraes Ribeiro acredita que uma das presumíveis líderes da <strong>Revolta Islâmica</strong>, <strong>Luiza Mahin</strong>, em pessoa, esteve envolvida na constituição da Irmandade, após a sua fuga de Salvador para o Recôncavo.</p>
<p>A confraria sempre obrigou aos seus membros a colaborarem. Jóias de entrada, anuidades, esmolas coletadas e outras formas de renda sempre foram usadas para os mais diversos fins: compra de alforria, realização de festejos, obrigações religiosas, pagamento de missas, caridade, vestuário. No caso da Boa Morte,  os recursos arrecadados em vida buscaram sempre, a concessão de um funeral decente, cujo preparo, face a dupla militância religiosa de suas adeptas, exige rigor e entendimento, além de um certo pecúlio fúnebre.</p>
<p>Fontes:A Tarde On Line, Wikipédia, Guia Quatro Rodas</p>
<p>Fotografias:  <a href="http://olhosdissimulados.blogspot.com/2008/08/boa-morte-em-foco.html">Blog Olhos Dissimulados</a>, <a href="flickr.com/photos/robertofaria/213639450/">Roberto Faria</a>, <a href="http://falandonalata.wordpress.com/2008/07/24/cachoeira-encanta-e-a-boa-morte-convida-a-todos/">Falando na Lata</a>, <a href="http://arqueologia.com.ar/congreso2002/ponencias/francisca_marques.htm">Arqueologia</a>, <a href="http://www.flickr.com/photos/igorfraga/2785650684/">Igor Fraga</a>,<a href="http://tabuleirocultural.files.wordpress.com/2008/08/francisca_marques004.jpg" rel="lightbox[614]">Tatsuhiro Yazawa</a>, <a href="http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.apenasbahia.blogger.com.br/Irmandade%2520da%2520Boa%2520Morte%2520-%2520Reverencia%2520-%2520%2520foto%2520by%2520Adenor%2520Gondim.jpg&amp;imgrefurl=http://www.apenasbahia.blogger.com.br/&amp;usg=__OqvpV05L-k0WHAm4CKjG31IpTP4=&amp;h=333&amp;w=515&amp;sz=42&amp;hl=pt-BR&amp;start=4&amp;tbnid=371s0_8BNy96QM:&amp;tbnh=85&amp;tbnw=131&amp;prev=/images%3Fq%3Dirmandade%2Bda%2Bboa%2Bmorte%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG">Atenor Godin</a></p>
 <img src="http://www.culturabaiana.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=614" width="1" height="1" style="display: none;" />

<p>Artigos relacionados:<ol><li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/irmandade-boa-morte-patrimonio-imaterial-bahia/' rel='bookmark' title='Irmandade da Boa Morte vira Patrimônio Imaterial da Bahia'>Irmandade da Boa Morte vira Patrimônio Imaterial da Bahia</a></li>
<li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/capoeira/' rel='bookmark' title='Capoeira'>Capoeira</a></li>
<li><a href='http://www.culturabaiana.com.br/4297/' rel='bookmark' title='Tríduo de Santo Antonio'>Tríduo de Santo Antonio</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.culturabaiana.com.br/irmandade-da-boa-morte-reconcavo-baiano/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

