“Há homens que lutam um dia. São Bons. Há aqueles que lutam muitos anos. Esses são melhores. Mas há aqueles que lutam uma vida inteira. Esses são imprescindíveis”.
Marinheiro, Karl Heinz Hansen desembarcou no Brasil em 1950 trazendo os horrores da II Guerra Mundial e a vivência artística. Nascido em Hamburgo, 1915 , Karl era conhecido como O Grande Mestre da Xilogravura, com muita bagagem, mostrou várias facetas: foi Gravador, escultor, pintor, ilustrador, poeta, escritor, cineasta e professor. Dois anos antes de sua morte, doa em testamento sua produção artística para a cidade de Cachoeira, Bahia, onde é criada a Fundação Hansen Bahia, que recebe o acervo artístico de xilogravuras, matrizes, livros, pinturas, prensas e ferramentas de trabalho.

"A obra de Hansen Bahia é uma das melhores deste século, o que o coloca entre os mais notáveis artistas da humanidade"
A integração de Hansen na cultura baiana se deu de maneira apaixonante, intensa e profunda, entre muitas, o álbum de gravuras intitulado Via Crucis do Alemão e Brasileiro, lançado em 67, com texto de Jorge Amado e dedicado a Mãe Senhora, yalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá nas décadas de 50 e 60, um dos mais tradicionais terreiros de candomblé da Bahia. “Tudo o que sei e o que sou devo à Bahia”, disse o artista, sem hesitação.
Hansen produziu muitos painéis e murais em prédios públicos, empresas privadas e residências. Pescadores e Cristo na Bahia enriquecem o ambiente do Moinho Salvador; Construção Civil, feito em parceria com Carybé, foi instalado no Edifício Delta (Salvador); Via Sacra e o Cristo do altar da capela da Escola de Enfermagem da UFBA, Anhangüera (Campinas, SP), São Franciscus, na Galeria Bonino (Buenos Aires), além de várias outras criações muralistas no Brasil e no exterior comprovam o alcance e o prestígio do artista.
Em 1968, Portas e Janelas é dedicado ao amigo Jorge Amado e prefaciado pelo então governador da Bahia Luiz Viana Filho. Neste mesmo período inaugura exposição conjunta com a companheira artista Ilse, no foyer do Teatro Castro Alves, e em seguida leva a mostra a São Paulo.
A Fundação Hansen Bahia desenvolvem atividades relacionadas ao acervo, realizando exposições anuais, no Museu em Cachoeira e no Memorial em São Felix, com visitas monitoradas, e exposições temporárias em outros locais e cidades; atividades educativas, dando subsídios para pesquisa de estudantes e cursos técnicos e processos artísticos para iniciantes; atividades de difusão cultural, com lançamentos de livros, a apresentações de corais, grupos instrumentais e de dança, e mostra de arte de outros artistas, em parceria, através de convênios de cooperação mutua entre a instituição e as prefeituras da cidade de Cachoeira e São Félix.
A preservação de um importante legado ao processo de desenvolvimento artístico e cultural da Bahia e do Brasil, de modo a propiciar maior reflexão sobre a obra e vida do artista e a arte da xilogravura.
Fonte: ASCOM /Fundação Cultural;Itaú Cultural;Jornal O Lince texto de Gilberto Gomes;Fundação Hansen Bahia
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