Comida Baiana

Rosilda Cruz 28/05/2009 Comentários

Acarajé, Vatapá, Carurú, Abará - As deliciosas comidas Baianas

- O Estado da Bahia é também conhecido pelas especiarias de sua culinária, marcadamente influenciada pelos costumes africanos, que lhe conferiram sabor exótico inconfundível. Entre os pratos mais apreciados da culinária baiana encontram-se o caruru, o vatapá, o efó e a moqueca, todos preparados com dendê, óleo extraído de uma palmeira originária da África. As baianas, mulheres vestidas em trajes típicos que vendem comidas em tabuleiros pelas ruas de Salvador, são atração especial na cidade. Entre os quitutes mais populares estão o acarajé, o abará e a cocada. As frutas tropicais também constituem atração especial da culinária baiana. Destacam-se o caju, a mangaba, o maracujá, a manga e o umbu entre as mais conhecidas, além da laranja e do abacaxi, que também são encontradas em grande quantidade. Os sucos de frutas são muito utilizados também para fazer a chamada batida, tradicional bebida brasileira, que mistura aos sucos, cachaça (aguardente de cana-de-açúcar) e mel ou açúcar.

A Culinária da Bahia mais conhecida é aquela produzida no Recôncavo e em todo o litoral da Bahia — praticamente composta de pratos de origem africana, diferenciados pelo tempero mais forte à base de azeite de dendê, leite de coco, gengibre, pimenta de várias qualidades e muitos outros que não são utilizados nos demais estados do Brasil.  As iguarias dessa vertente africana da culinária estão reservadas, pela tradição e hábitos locais, às sextas-feiras e às comemorações de datas institucionais, religiosas ou familiares. No dia a dia, o baiano alimenta-se dos pratos herdados da vertente portuguesa, englobados no que se costuma chamar de “culinária sertaneja”. São receitas que não levam o dendê e demais ingredientes típicos de origem africana, como ensopados, guisados e várias iguarias encontradas também nos outros estados, embora com toques evidentemente regionais (a utilização mais ou menos acentuada de determinados temperos numa dada receita, por exemplo). A predominância, no imaginário do brasileiro e nos meios de comunicação, da culinária “afro-baiana”, deve-se muito ao fato de Salvador, a capital da Bahia, situar-se no litoral do Recôncavo, o que confere maior poder de divulgação para o saboroso legado africano da culinária regional. Ambas vertentes da culinária baiana. Existem poucos chefs de cozinha dedicados à culinária da Bahia. Procedimentos mais coerentes com a moderna cozinha, contudo, já começam a aparecer, de forma esparsa, através de cozinheiros e cozinheiras mais informados das modernas técnicas gastronômicas, apontando perspectivas mais dinâmicas para a cozinha baiana. A primeira consequência dessas poucas iniciativas é o aparecimento de novas receitas, mais elaboradas, ainda mantendo fortes ligações com as matrizes portuguesa e africana mas incorporando também bases da culinária de outros países, principalmente aqueles banhados pelo Mediterrâneo.

Na Bahia existem duas maneiras de se preparar os pratos “afros”. Uma mais simples, sem muito tempero, que é feita nos terreiros de candomblé para serem oferecidos aos Orixás, e a outra, fora dos terreiros, onde as comidas são preparadas e vendidas pela baiana do acarajé e nos restaurantes, e nas residências, que são mais carregadas no tempero e mais saborosas.

Diz Afrânio Peixoto, historiógrafo, em seu livro “Breviário da Bahia”, que ” a Bahia é um feliz consórcio do melhor de Portugal – a sobremesa e a preferência pelos pescados, e da Costa da África – o óleo de dendê, com outros temperos e condimentos, e pimenta, muita pimenta benzendo tudo. (…) Pouca coisa do índio, que não tinha quase cozinha.”

Nordeste: Histórico da Culinária Baiana Assim que chegou aqui, o português cozinhava no estilo da sua terra, adotando um ou outro alimento nativo.
Depois, com a negra na cozinha, entraram na comida os ingredientes africanos.
O resultado, na Bahia, foi uma comida mais negra do que branca, porque ela cozinhava e ali desembarcavam, junto com os pratos, os de comer africanos. E não para os pretos, que eles não consumiam, por exemplo, o dendê, condimento caro demais para a boca de negro cativo.

Segundo Saint-Hilaire, eles comiam “fazendo cozer o fubá na água, sem acrescentar sal”, o que resultava em “uma espécie de polenta grosseira, que se chama angu e constitui o principal alimento dos escravos”.
(Diz Luiz Câmara Cascudo: o mesmo matete de Angola, xima em Moçambique.) Um quarto de farinha e três libras e meia de carne salgada era tudo o que o escravo comia, e a quantidade devia durar dez dias. No mais eram obrigados a “comer uns matos”. Foi o excesso de mão-de-obra escrava e o declínio da indústria açucareira que possibilitaram a melhoria das condições de vida do escravo – lembra Darwin Brandão. O negro passou a ser admitido nos trabalhos de engenho e da casa-grande.

Quando a negra entrou na cozinha é que começou a influir na vida do branco, que já comia camarão seco e dendê, mas tinha cozinha pobre como inventiva.
Edson Carneiro (em Ladinos e Crioulos, Editora Civilização Brasileira) diz:
“O negro era a maioria da população. Assim ao lado da exploração agrícola, o senhor teve de criar entre a escravaria um corpo de artífices para a satisfação das suas necessidades: pedreiros, carpinteiros, ferreiros, oleiros, seleiros, colchoeiros, sapateiros, mecânicos…
Em estágio posterior, foi-lhe preciso tirar do trabalho de campo negras costureiras, doceiras e cozinheiras. E, quando o comércio exterior se desinteressava dos seus produtos, e em conseqüência era grande o número de escravos ociosos, trazia boa parte deles para compor a criadagem nas cidades. A estes teve de ensinar a ler, de treinar em prendas domésticas e em boas maneiras, de preparar para as funções de confiança. Com a sua multiplicação, teve de alugá-los a estrangeiros e à burguesia sem escravos e, mais tarde, se viu na contingência de lhes permitir ganhar a vida por si mesmos, com a condição de lhe pagar uma pequena diária”.

Escolhidas entre as mais bonitas e agradáveis, as cozinheiras só começaram a mudar a cozinha por volta de 1750. Luís dos Santos Vilhena (Cartas de Vilhena, impressas na Imprensa Oficial, na Bahia, em 1922) informa que, por esta época, “das casas mais opulentas desta cidade” saem as negras de ganho, “oito, dez e mais, a vender pelas ruas a pregão, mocotó, isto é, mão-de-vaca, cururus, vatapá, mingaus, pamonhas, canjicas, isto é, papas de milho, acaçás, acarajés, abarás, arroz de coco, feijão de coco, angus, pão-de-ló de arroz, o mesmo milho, roletes de cana, queimados, isto é, rebuçados a oito por vintém, doces de infinitas qualidades, ótimos muitos deles, pelo seu asseio, para tomar por vomitórios”. O Senhor Vilhena ia mais longe: dizia ser impossível comer na Bahia, “onde a gentinha tomou conta das cozinhas com sua comida bárbara e desagradável até para os olhos”. Mal vista, a comida dos pretos minas ficou e tornou-se importante, vale mais que a cozinha do branco. E até o traje típico das minas virou uniforme de miss brasileira no exterior – o mais típicos dos nossos trajes. Mas o preconceito ficou.

Preconceito que ainda existe hoje como no tempo do Sr. Rui Barbosa, a quem perguntaram o que significava arroz-de-hauçá. E ele, muito senhor de si: “É uma corruptela de arroz de água e sal”. Não sabia que os hauçás formam uma nação (é o povo de Biafra, província que tentou a sua independência da Nigéria, há poucos anos). De qualquer forma, o certo é que todos os pratos baianos têm a marca do negro. No dendê, na pimenta, no prazer da mistura, na técnica, no amor que exige, na criatividade espontânea, no desmedido.

A cozinha africana, ou de santo, não é do dia-a-dia da mesa do baiano.
No trivial entra sempre o dendê, muita pimenta, mas os pratos que fazem a honra e a glória da Bahia só figuram nos jantares melhorados, nos dias de festa, ou para receber gente de fora.
Nos restaurantes também não é fácil comer a boa comida típica. E mais: o que toda gente chama de cozinha baiana devia ser chamada antes cozinha de Salvador, porque a cozinha africana está restrita à cidade de Salvador e à sua área de influência.

Darwin Brandão, baiano nascido no Espírito Santo, informa (Cozinha Baiana, Editora Letras e Artes) que “a partir da Feira de Santana, rumo ao sul, os pratos típicos de azeite-de-dendê desaparecem, dando lugar à comida sertaneja, mais pobre e mais simples. O mesmo ocorre na direção de São Francisco, a partir de Alagoinhas não se encontra mais a comida típica que tanta fama carreou para a Bahia”.

Roger Bastide (A Cozinha dos Deuses. SAPS, Rio), diz mais: que há um certo preconceito branco em relação à cozinha negra, mesmo na Bahia. E que a algumas senhoras baianas irrita muito fazer vatapá, caruru, efó, quando preferiam servir o stroganoff, que entrou errado no Brasil, continuou errado, mas tem (ou teve, até bem pouco tempo) uma posição invejável: a de prato mais servido nas reuniões de gente de bem, nos últimos dez anos.

O problema, também, é que é preciso ter dedo para fazer um bom prato baiano.
O dedo, segundo Sodré Viana (Caderno de Xangô, Editora Bahiana), é o talento que permite às cozinheiras saber colocar a quantidade exata de tempero, medir o tempo exato de feitura, e não ligar muito para receitas e tabelas de cocção.

Gilberto Freyre (Açúcar, Livraria José Olympio) explica por que há poucos livros de cozinha no Brasil: culpa da maçonaria das mulheres, que guardavam os segredos das receitas em casa, passando de mãe para filha, de vez em quando para a afilhada, às vezes para a nora e de raro em raro para a comadre, na base da troca. E, mesmo assim, sempre ensinando pelo geral.

A baiana em particular, e a brasileira em geral, nunca foi de receita bem medida.
E muita gente boa defendia a tradição, alegando que, assim, o feijão-de-leite com bacalhau ficava um na casa de Joaninha, e outro, tão bom mas certamente outro, em casa de Dona Flor, obrigada a pesquisar, a procurar, a trabalhar uma receita que ensinava tudo, menos as quantidades e o segredo.

Pratos típicos da Bahia:

  • Abará
  • Aberém
  • Arroz de hauçá
  • Mocotó
  • Acaçá
  • Acarajé
  • Bobó
  • Carne de sol assada
  • Caruru
  • Efó
  • Feijão de leite
  • Galinha de cabidela
  • Maniçoba
  • Mininico de carneiro
  • Moqueca de aratú
  • Moqueca de peixe
  • Moqueca de camarão
  • Moqueca de maturi
  • Moqueca de mapé
  • Moqueca de petitinga
  • Muganga
  • Sarapatel
  • Sarrabulho de vaca
  • Siri mole
  • Vatapá
  • Xinxim de galinha
  • Zembê

Sobremesas da culinária baiana

  • Aluá
  • Arroz doce
  • Baba-de-moça
  • Beiju
  • Bolinho de estudante
  • Canjica
  • Cocada
  • Cuscuz
  • Lelê
  • Munguzá
  • Pamonha
  • Pé-de-moleque
  • Quindim
  • Tapioca

Fontes: Wikipedia; A Cozinha Brasileira;

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Comentários

  1. Dalva de jesus sousa disse:

    gostaria de receber a receita de Lelê milho verde de corte

  2. Dalva de jesus sousa disse:

    gostaria de receber a receita de Lelê milho verde de corte . Nasci em salvador vim com, 14 ano já esqueci

  3. emilly disse:

    adorei………..

  4. E eu gostaria de receber TODAS essas receitas maravilhosas desse Estado tao acolhedor!! Adoro a gastronomia desse Estado, eh simplesmente fantastica e de dar agua na boca e ainda de ficar com aquele gostinho de quero mais!!!

  5. alice disse:

    QUERO AS LEIS QUE DIZEM QUE AS COMIDAS NORDETINAS ,SAO REALMENTE NORDETINAS.E TAMBÉM QUERO LEIS SOBRE AS BAIANAS DO ACARAJÉ….VLW.

  6. Luiz Antonio da Silva disse:

    Gostaria de informações de como e onde encontrar mininico de carneiro e siri mole em São Paulo

  7. Cristiane Oliveira disse:

    gostaria de receber a receita de moqueca de maturi.
    grata
    Kitty

  8. Moqueca de Maturi

    A moqueca servida é um guisado de peixe, de carne, de camarão, de ovos, de maturi, temperado com azeite de dendê, leite de coco, pimenta. Há também a tradicional moqueca de folha, feita de peixe temperado com muita pimenta malagueta e, como o nome sugere, envolto em folha de bananeira para moquear.
    A moqueca de maturi leva os seguintes ingredientes: maturi, azeite de dendê, azeite de oliva, leite de coco, cebola, tomate, sal, cheiro-verde, pimenta malagueta.
    Bom apetite!!

  9. lucia barbosa disse:

    gostaria de receber as recetas de moquecas de maturi.

  10. Paulo Andrade disse:

    esta resposta é para (alice
    Posted novembro 1, 2009 at 4:58 PM

    QUERO AS LEIS QUE DIZEM QUE AS COMIDAS NORDETINAS ,SAO REALMENTE NORDETINAS.E TAMBÉM QUERO LEIS SOBRE AS BAIANAS DO ACARAJÉ….VLW.)

  11. gledon disse:

    eu gostei muito

  12. tassya disse:

    hum…
    muito bom

  13. andréa disse:

    Adoraria Receber a receita do abara e se puderem a do acarajé conto com vcs e quem me ajudar vou dar prestigio (abre aspas) beijos / todos

  14. Mara disse:

    Tem como não amar a bahia.Adoroo

  15. janielly disse:

    amooooooooooooooo a bahia

  16. stella disse:

    legal gostei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!